
Quando saíamos do Pioneiro, ainda com sono, eu estava muito empolgada com a viagem, porque estava (e ainda estou) com a impressão de que será ótima.
Chegando aqui em Iperó, vi que o lugar é bem simples, “mato” mesmo! Mas isso não foi um problema, nós já estávamos esperando algo mais ou menos igual.
Fomos, então, direto para uma palestra dada por uma bióloga, que se mostrou muito dedicada em mostrar o seu trabalho realizado pelo Ibama. Ela falou também sobre como nós podemos preservar a natureza no dia-a-dia. Eu, particularmente, gostei. Até achei que seria a pior parte da viagem (como a própria bióloga disse), mas no final, foi interessante e não cansativa como eu esperava.
Logo após, fomos conhecer o lugar que ficaremos durante toda a viagem, que chamarei de alojamento, e almoçamos.
Depois fomos conhecer um pouco as Casas de Fundição que deixaram de funcionar em 1895.
Percebi que, apesar da grandiosidade da casa onde D. Pedro II se estabeleceu durante sua vinda ao Brasil, as condições dos escravos que ali viveram deixaram um ar sombrio nos estabelecimento onde ficavam principalmente no porão e na senzala.
Lá, também aprendi um pouco da história daqui e isso fez com que eu me questionasse como um lugar, que hoje parece tão abandonado, pode ter tido importância na vida de diversas pessoas! Não só isso! Como pode ter feito parte da história do país!
Bom, é impossível também não nos admirar com tamanha diferença entre Iperó, uma cidade menor e com menos habitantes, e São Paulo, a maior metrópole do país.
Esse foi apenas o primeiro dia. Espero que todos sejam muito bons!
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Aline Kuroda
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10h34
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Acordamos hoje muito cedo. Não estava bem-disposta, estava com dor de estômago, que me causava até falta de ar.
Mesmo assim, fui com o grupo para o assentamento. Com o tempo, a dor acabou passando e eu consegui fazer as entrevistas e obter ótimos resultados.
Chegando lá, tivemos uma palestra com um dos responsáveis pelo assentamento, na qual vi que a situação dos assentados melhorou muito desde que tudo começou, mas mesmo assim, há muito que fazer e muito pelo que lutar.
Apesar de não absolutamente satisfeitos com o assentamento, eu senti que o responsável estava muito orgulhoso com dele, devido a tudo aquilo já conquistado e de todas as melhoras.
Momentos depois, fomos fazer as entrevistas com outros assentados. Andamos muito e muitas informações foram coletadas, mas duas coisas chamaram muito a minha atenção: a primeira foram as próprias condições do assentamento, pois eu não esperava encontrar casas e instalações com ótimas condições e nem pessoas com recursos financeiros como as que eu encontrei. A segunda foram as diferenças econômicas encontradas entre as famílias do assentamento, porque eu imaginava que todos os que aqui vivem tinham as mesmas condições econômicas, que não eram boas. Mas o que encontrei não foi isso: uma das entrevistadas tinha até uma moto e um carro (o que muita gente de São Paulo não tem condições de realizar).
Já à tarde, fomos fazer a trilha mais “light” (para falar a verdade, estou até com medo da que faremos amanhã). Durante a caminhada, a sensação era de calma e tranqüilidade, que superava o cansaço e o medo de escorregar, que eram acompanhados pelo barulho das águas de um rio.
À noite, foi a vez do 1º ano fazer a janta. Nossa escolha foi o “hot dog”. Essa foi a parte mais divertida da viagem: todos juntos, cortando, descascando, lavando,... E o melhor de tudo pe que o resultado foi muito bom (apesar de alguns não terem gostado).
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Aline Kuroda
às
10h33
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Hoje, fomos logo cedo para o centro de Araçoiaba da Serra. Apesar de ser a região melhor atendida pelos serviços públicos, a cidade mostrou-se muito simples.
Não estava tão envergonhada para fazer as entrevistas como fiquei no assentamento, mas estava muito cansada.
As pessoas que entrevistei mostraram-se satisfeitos com a cidade. Mas um deles me disse uma coisa que me fez pensar que essa opinião pode ser diferente das outras pessoas: “Araçoiaba da Serra é uma cidade que possui muitas vantagens em relação à qualidade de vida, como a qualidade do ar e a ausência de violência. Porém, uma cidade grande, como São Paulo, apresenta um conforto e diversas facilidades, como no deslocamento através do metrô, que aqui não existem.” Portanto, assim como todos os lugares do mundo, dependendo do ponto de vista, dependendo das suas prioridades e de suas preferências, a opinião sobre morar em determinado lugar varia.
À tarde, fizemos a segunda caminhada da viagem. Foi muito, mais muito cansativo! Subimos até o mirante, de onde pudemos ver o pôr-do-sol, que compensou todo o nosso cansaço. Depois o grupo se dividiu: uma parte voltou aos alojamentos de ônibus e a outra, na qual eu fiquei que voltou andando.
O caminho foi super tranqüilo. Eu vi o céu mais estrelado do que nunca! LINDO! Chegamos ao alojamento e jantamos um yakissoba feito pelo 2º ano! Muito gostoso! Aposto que deve ter dado muito trabalho.
Mais à noite, fizemos uma fogueira e uma roda à sua volta. Alguns alunos e o profº Hiakuna tomaram violão enquanto cantávamos e conversávamos. FOI MUITO BOM! A parte mais relaxante da viagem!
Dentro do refeitório, fizeram até uma baladinha! Eu acho que estava boa, pelo menos era o que parecia olhando de fora, porque preferi ficar na fogueira.
Quando fui dormir, assim como todo mundo, já era tarde e eu estava muito cansada.
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Aline Kuroda
às
10h33
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Acordei um pouco atrasada, porque fomos dormir tarde. Estava começando a ficar nervosa, quando eu saí do quarto e vi que ninguém estava na mesa do café da manhã. Logo depois fiquei sabendo que atrasaríamos e sairíamos dos alojamentos uma hora mais tarde que o planejado.
Fomos, depois, para Araçoiabinha (bairro mais afastado de Araçoiaba da Serra).
Chegando lá, o que vi foram poucas casas muito simples e pessoas humildes, que não aparentavam ter boas condições financeiras. A maioria das ruas não era asfaltada e tinha iluminação precária.
Logo de cara, vi que eram inúmeras as diferenças entre o centro e a parte mais periférica de Araçoiaba.
Em seguida, começamos a fazer as entrevistas (que ficou responsável por mim e pela Kátia). Decidimos trabalhar juntas e recolhemos informações muito significativas para o estudo da organização da cidade.
Numa das entrevistas, na qual conversamos com um grupo de senhores de uns 50 anos, foram citados diversos problemas enfrentados pelos moradores de Araçoiabinha: não há rede de esgoto, as ruas não são, na maioria das vezes, asfaltadas, a iluminação é precária,... Esses são alguns dos problemas que mostram o descaso do governo com essa região, já que o centro de Araçoiaba não passa por eles. Segundo esses entrevistados, iss ocorre, principalmente pelo fato de ali morarem apenas pessoas sem muitas condições financeiras e não por estarem localizados afastados do centro, como imaginei. O que deu origem a esse pensamento foi o fato de haverem outras regiões também afastadas do centro, na qual moram grandes fazendeiros, que recebem cuidados do governo assim como o centro.
Não posso julgar se esse pensamento é correto ou não. O que queria que ficasse registrado são as diferenças entre as diversas regiões de Araçoiaba.
Com todos esses problemas, que também envolvem saúde e educação, eu pensei que os moradores não estivessem satisfeitos com a vida que tem, e que só estavam vivendo ali pois não tinham condições financeiras de sair e mudar-se para uma outra cidade, como São Paulo, que oferece todos os confortos, carentes na região. Porém, eu estava errada! Os entrevistados, pelo menos, já conheciam a vida
Voltamos para os alojamentos, almoçamos e começamos a arrumar as malas para voltarmos para São Paulo.
Em seguida, fizemos uma reunião geral com todos os alunos e professores. Depois disso, ainda tínhamos que medir a altura do morro, exigido pelas profª Cláudia e Maria Helena. Fomos até o lado de fora dos alojamentos e fizemos várias tentativas para conseguir resolver o problema sugerido. Mas foi inútil! Os resultados obtidos eram absurdos!
O tempo estava acabando então decidimos medir pelo menos a altura da construção onde ficavam os alojamentos (também proposto pelas professoras). Deu certo! Pelo menos esse problema conseguimos resolver de primeira.
Já tínhamos que ir embora. Terminamos de arrumar as malas, nos reunimos para uma foto e ADEUS Araçoiaba e FLONA! Foi muito bom passar um tempo aqui.
Chegamos ao Pioneiro, revimos nossos pais e enfim...LAR, DOCE LAR!
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Aline Kuroda
às
10h32
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